Todas As Quedas São Livres (Penalux, 2020) é o terceiro livro de poesia de
Leandro Rodrigues, poeta nascido e radicado em Osasco-SP.
Numa vertiginosa fragmentação poética fundem-se haicais, poemas concretos,
sonetos, versos livres em ode aos equilibristas que desafiam numa corda bamba
o tempo e a existência.
Texto da orelha:
Se todas as quedas são livres, então todos os voos são livres.
O céu que é de Ícaro e de Galileu é também de Philippe Petit,
de Lillian Leitzel, de Maria Spelterini, dos Wallenda, de Charles Blondin...
Na corda bamba do tempo, no tênue fio da (in)existência des)equilibram-se
as palavras, os versos, uns corpos desmedidos que se apoiam verticais no azul
entre as teias da aranha e os girassóis mudos.
Por um lance, o passo em falso – o fato: a corda pendente do cadafalso pronto.
No chão um pássaro sem asas observa tudo e tece seu canto, sua elegia fatídica
e dissonante.
no (des) equilibrio
o voo
do pássaro vertical
azul (des) medido
o canto das águas
premonitórias
memórias das folhas
secas
nas trincas do
concreto
o sangue – a seiva.
Leandro Rodrigues

